Capítulo 1 – Farol

“Uma viagem de mil quilómetros começa sempre com um passo.”

Lao-Tse

Um objectivo a longo prazo

Várias definições e diferentes abordagens poderiam ser aqui apresentadas, mas a melhor maneira de perceber a Educação para os Direitos Humanos é conhecer o seu objectivo, que consiste em cimentar uma cultura onde esses Direitos sejam compreendidos, defendidos e respeitados. Assim, podemos dizer que qualquer pessoa que trabalhe com outras se dedica à Educação para os Direitos Humanos, desde que tenha esse objectivo em mente e que trabalhe de forma a atingi-lo – não importa quais os seus caminhos, nem quais as suas orientações.

Decerto que existem diferentes perspectivas sobre a melhor maneira ou a mais apropriada para alcançar este objectivo, e é precisamente assim que deve ser. Não há dois indivíduos, grupos de indivíduos, ou até mesmo culturas com as mesmas necessidades e, por isso, uma só abordagem educativa não preenche os requisitos de todos os indivíduos, grupos ou sociedades. Isto só prova que a Educação para os Direitos Humanos deve ser, acima de tudo, centrada no aprendente: tem de partir das necessidades, preferências, capacidades e desejos de cada pessoa no seio de uma comunidade.

Uma abordagem educativa centrada no aprendente reconhece o valor das acções e das mudanças pessoais. Além disso, tem em consideração o contexto social no qual os aprendentes estão inseridos. No entanto, isto não significa que os educadores tenham de trabalhar isolados, ou que não possam aprender com colegas que trabalham em contextos diferentes. O que atrai os educadores de todo o mundo para os Direitos Humanos é esta missão comum: o desejo de promover e de viver num mundo onde esses Direitos sejam valorizados e respeitados. Há linhas de orientação gerais, métodos experimentados e testados, materiais educativos e muitas pessoas a trabalhar nesta área, e cada um deles pode ajudar-nos a alcançar este objectivo comum. Pretendemos, com este manual, dar apenas mais uma contribuição.

O que entende por Educação para os Direitos Humanos?

Para simplificar

É importante ter uma visão abrangente, mas, por uma questão prática, muitas vezes precisamos de ter uma visão mais terra-a-terra dos nossos objectivos. Desta forma, olhar para as diferentes componentes que constituem uma cultura de Direitos Humanos e pensar numa forma de as abordar individualmente, ajuda a simplificar a questão em termos de objectivos concretos. Afinal, uma cultura de Direitos Humanos não é só uma cultura onde todos conhecem os seus direitos, pois conhecimento não equivale necessariamente a respeito e, sem respeito, existirão sempre violações. Uma cultura de Direitos Humanos é uma rede onde se entrelaçam atitudes, crenças, comportamentos, normas e regras. Perceber isto torna-se fundamental para apoiar o trabalho que queremos levar a cabo com os nossos grupos.

 

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